As pessoas sensíveis não são capazes
De matar galinhas
Porém são capazes
De comer galinhas
O dinheiro cheira a pobre e cheira
À roupa do seu corpo
Aquela roupa
Que depois da chuva secou sobre o corpo
Porque não tinham outra
O dinheiro cheira a pobre e cheira
A roupa
Que depois do suor não foi lavada
Porque não tinham outra
"Ganharás o pão com o suor do teu rosto"
Assim nos foi imposto
E não:
"Com o suor dos outros ganharás o pão".
Ó vendilhões do templo
Ó construtores
Das grandes estátuas balofas e pesadas
Ó cheios de devoção e de proveito
Perdoai-lhes Senhor
Porque eles sabem o que fazem.
...passamos pelas coisas sem as ver, gastos, como animais envelhecidos: se alguém chama por nós não respondemos, se alguém nos pede amor não estremecemos, como frutos de sombra sem sabor, vamos caindo ao chão, apodrecidos.
...definição da angústia. Pudesse ao menos eu agrilhoar-te Ao coração pulsátil dum poema! Era o devir eterno em harmonia. Mas foges das vogais, como a frescura Da tinta com que escrevo. Fica apenas a tua negra sombra: — O passado, Amargura maior, fotografada.
Tempo... E não haver nada, Ninguém, Uma alma penada Que estrangule a ampulheta duma vez!
Que realize o crime e a perfeição De cortar aquele fio movediço De areia Que nenhum tecelão É capaz de tecer na sua teia.
Foi para ti que desfolhei a chuva para ti soltei o perfume da terra toquei no nada e para ti foi tudo. Para ti criei todas as palavras e todas me faltaram no minuto em que talhei o sabor do sempre. Para ti dei voz às minhas mãos abri os gomos do tempo assaltei o mundo e pensei que tudo estava em nós nesse doce engano de tudo sermos donos sem nada termos simplesmente porque era de noite e não dormíamos eu descia em teu peito para me procurar e antes que a escuridão nos cingisse a cintura ficávamos nos olhos vivendo de um só amando de uma só vida.
"Open your eyes, open your mind proud like a god don't pretend to be blind trapped in yourself, break out instead beat the machine that works in your head"
...uma música do meu tempo...soa estranho...sim, um "abanão"...
...eis que depois de ter lido um artigo da revista Sábado dou por mim a pesquisar um pouco mais sobre "o fim do mundo em 2012"... pois se nos basearmos no calendário maia (não é o da Maia) haverá no dia 21 de Dezembro de 2012 um alinhamento invulgar entre a Terra, o Sol e o centro da Via Láctea que gerará uma alteração magnética terrestre e que por sua vez dará origem a tsunamis, terramotos, ...só ou algo mais? ...pois...as teorias divergem... e vocês...em que é que acreditam?
...no silêncio que a minha vida às vezes me premeia dou por mim a pensar no que sou, em quem sou, na complicada humana, mulher, menina,...assumindo os papeis da "idade adulta" dou por mim deslocada do mundo pequenino que eu julgava ser menos cruel...na busca diária de um equilíbrio dou por mim a consultar signos, ascendentes e horóscopos à espera de encontrar soluções que me insiram onde ainda tão longe estou...é nessa busca constante que paro e penso no estranho ser que me invade ora com sorrisos alegres e incandescentes ora com sorrisos forçados...sou por vezes prisioneira de mim mesma...pois até por mim mesma sou traída.
Onde há outra mais feliz e mais tranquila, mais sorridente - isto é, mais egoísta?...
Em volta de nós podem suceder as piores catástrofes. Se elas nos não arrancam nem os brinquedos nem os bolos, não nos atingem de forma alguma... não as compreendemos sequer...
Quando muito, correm-nos lágrimas vendo chorar as nossas mães.
No entanto, é só ainda vagamente que percebemos a dor humana. Por isso as nossas lágrimas secam depressa diante dos brinquedos. E se o quadro em que nos agitamos é risonho, a infância tansforma-se-nos então num jardim maravilhoso. Para as crianças felizes, só para elas, existe realmente um céu - o ceú dos seus primeiros anos.
(Mário de Sá-Carneiro, in O Incesto)
Quisera eu ser criança todos os dias, pintar o mundo com as minhas cores…quisera eu não pensar em ser adulto…para não pensar.
Procuro despir-me do que aprendi
Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram,
E raspar a tinta com que me pintaram os sentidos,
Desencaixotar as minhas emoções verdadeiras,
Desembrulhar-me e Ser eu...
Não direi:
Que o silêncio me sufoca e amordaça.
Calado estou, calado ficarei,
Pois que a língua que falo é de outra raça.
Palavras consumidas se acumulam,
Se represam, cisterna de águas mortas,
Ácidas mágoas em limos transformadas,
Vaza de fundo em que há raízes tortas.
Não direi:
Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,
Palavras que não digam quanto sei
Neste retiro em que me não conhecem.
Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,
Nem só animais bóiam, mortos, medos,
Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam
No negro poço de onde sobem dedos.
Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.
"I fly like paper, get high like planes If you catch me at the border I got visas in my name If you come around here, I make 'em all day I get one down in a second if you wait
Sometimes I feel sitting on trains Every stop I get to I'm clocking that game Everyone's a winner now we're making that fame Bonafide hustler making my name."
Antes pudesse eu voar como papel, bem alto como um avião...em vez de estar sentada à espera do que pode não chegar...ou chegar atrasado...
Conta a história que numa uma ilha viviam os principais sentimentos do homem: Alegria, Tristeza, Vaidade, Sabedoria, e Amor. Um dia, a ilha começou a afundar no oceano. Todos conseguiram alcançar os seus barcos, menos o Amor.
Quando o Amor foi pedir à Riqueza que o salvasse, esta respondeu:
- “Não posso, estou carregada de jóias e ouro”.
Dirigiu-se ao barco da Vaidade, que lhe disse:
- “Sinto muito, mas não quero sujar meu barco”.
O Amor correu para a Sabedoria, mas ela também recusou, dizendo:
- “Quero estar sozinha, estou reflectindo sobre a tragédia, e mais tarde vou escrever um livro sobre isto”.
O Amor começou a afogar-se. Quando estava quase a morrer, apareceu um barco conduzido por um velho que o salvou.
- “Obrigado” – disse, assim que se refez do susto.
– “Mas quem é você”?
- “Sou o Tempo” – respondeu o velho. Só o Tempo é capaz de salvar o Amor.
(adap. Paulo Coelho)
…é que o Tempo passou e o Amor não percebeu … estava demasiado preocupado a pedir ajuda a quem jamais o poderia "salvar"....tempo, esse sábio conselheiro.
Quem me conhece sabe bem o quanto adoro a minha cadela, quanta paciência tenho para "aturar" as suas asneiras e acreditem... muitas caro me saem. Bem, mas a verdade é que cada vez mais passamos na rua e vemos animais abandonados...sozinhos ou agrupados, lá estão...correm a maratona dos contentores vencendo a fome agoniante que todos os dias encaram. Olho e custa olhar. Antes pudesse o olhar ser acção, antes pudesse transformar a escura realidade numa mais colorida...antes pudesse abafar as suas costelas à vista e fazê-los sair dali...levá-los para um mundo melhor. Convosco não acontece o mesmo?Quando adoptamos um bichinho não nos devemos esquecer que temos o dever de não os abandonar. Em troca, podem crer, dão-nos a sua mais pura amizade, demonstram através do olhar o quanto gostam de nós e não nos traem com palavras duras, falsas e mesquinhas. Eles sim, merecem que cumpramos os nossos deveres, pois não gostam de ti por seres rico, famoso e bonito! Acredita!
...não são sempre os mesmos caminhos que te conduzem aos teus fins... caminhos levam, trazem, guardam, escondem, revelam... por isso ultrapassa, contorna, dá a volta, mas não sigas sempre pelo mesmo...lembra-te que muitos caminhos te poderão mostrar a estrada certa mas nenhum te deixa voltar para trás...caminhos falsos, enganosos, traiçoeiros, caminhos que guardam sonhos, esperanças e sorrisos...caminhos que percorres só...percorre-os a todos com garra, a mesma garra inabalável que te tornou quem és...a garra subtil que nasceu da tua vontade...
não queiras ser "folha de papel vazia"..."pequenas coisas, pequenos pontos, vão-te mostrar o caminho"...não fiques imóvel.
"O progresso humano não é automático nem inevitável. Somos actualmente confrontados com o facto de o amanhã ser hoje, e colocados perante urgência cruel do agora. Neste enigma da vida e da história é possível ser demasiado tarde...
Podemos gritar desesperadamente para que o tempo pare, mas o tempo ensurdece a cada súplica e continua a passar rapidamente. Sobre as ossadas descoradas e a mistura de restos de numerosas civilizações está escrita uma expressão patética: Demasiado tarde."
(Martin Luther King Jr.)
Martin
Perde-se um habitat, perdem-se ecossistemas, línguas, culturas, perde-se um ser. Tu podes parar!
não sonhes com estrelas... sonha antes que podes ser uma estrela, luminosa, macia suave,...tens um mundo, um lugar...lágrimas, não precisas delas...sorrisos...segura-os! guarda-os como eternos.
descobre-te a ti mesmo, tu podes brilhar!
o sol nasce todos os dias e também brilha ao nascer...dá um espectáculo maravilhoso...enquanto toda a plateia dorme.
não penses que amanhã o sol poderá não brilhar. ele nasceu para brilhar...se ele não brilhar ...então é porque o céu não se abriu(Shakespeare).
tu podes brilhar! busca o sonho e acredita nele. se tens asas, são para voares!